“Aqui jaz

Rosa de Luxemburgo

Judia da Polônia

Vanguarda dos operários alemães

Morta por ordem

Dos opressores.

Oprimidos,

Enterrai as vossas desavenças!”

(Bertold Brecht escreveu Epitácio de Rosa Luxemburgo)

Rosa Luxemburgo filósofa, feminista militante polonesa é daquelas mulheres que lutaram com sua própria vida pelos seus ideais, com foco por uma sociedade mais justa. Ativista política desde os 16 anos em pleno século XIX foi uma grande revolucionária, com leitura importante para a formação de ideias dentro da esquerda e do feminismo, até porque ela alçava muitas críticas aos próprios grupos que estava ligada, e isso a meu ver, é indispensável a uma pensadora/filósofa considerada revolucionária.

Perseguida por suas ideias progressistas de esquerda, e principalmente por ser mulher e exigir um lugar de igualdade aos homens daquela época. Uma das primeiras mulheres a estudar numa Universidade, fez economia, matemática e filosofia e chegou a ser Doutora em Ciência Política.

Foi presa por diversas vezes, e como na maioria das prisões políticas, não havia nenhuma acusação formal, apenas como forma de retaliação de seus discursos e ideias de esquerda feminista revolucionária. Considerada perigosa, foi proibida de falar e escrever sobre o que pensava e defendia, crítica feroz ao sistema e uma das primeiras pensadoras a entender que enquanto os meios de produção fossem apropriados pelo Estado e não pelos próprios trabalhadores, haveria um fracasso na concepção de Igualdade Social.

 

A MORTE DE ROSA

Em 15 de janeiro de 1919 foi assassinada em Berlim, após deixar mais uma das idas e vindas da prisão, foi sequestrada, torturada e assassinada pela ultra direita, fascista alemã.

Ela também, mais uma mulher, morreu na mão de homens que representam o ódio a mulheres que pensam e participam no cenário político.

Rosa Luxemburgo não se intimidava, mesmo que vigiada e perseguida pelo fascismo alemão, muito pelo contrário, foi autora de inúmeros textos e cartas que produzia principalmente quando estava encarcerada nas prisões alemães da época.

Izabel Loureiro Doutora em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), e pesquisadora, colaboradora da Fundação Rosa Luxemburgo, a qual tive a honra de ter como professora de Filosofia Política na Graduação em Filosofia na UNESP é uma especialista na vida e obra dessa mulher destemida. Segundo a especialista, a obra de Luxemburgo gira entorno ao que o capitalismo constrói: as desigualdades entre indivíduos, classes e países.

“A Rosa sempre foi uma grande defensora das liberdades democráticas, fruto das revoluções burguesas no Ocidente. Ela viveu a infância e a adolescência na Polônia dominada pelo império tzarista [monarcas da Rússia] e sabia muito bem como era uma vida sem liberdade de imprensa, de associação, de reunião, sem liberdade religiosa e sem direitos de nenhuma espécie para os trabalhadores e para as mulheres” (Loureiro In Brasil de fato, 2019).

Rosa Luxemburgo foi assassinada como muitas outras por defender suas ideias, entregou sua vida, pensamento e voz pela Revolução Proletária com homens e mulheres nessa luta.

Diana Assunção, historiadora e autora do prólogo de “Rosa Luxemburgo: pensamento e ação”, conta que ao lado de Karl Liebknecht, outro político e dirigente socialista alemão foi assassinada:

“Eles foram pegos em uma emboscada e foram mortos a coronhadas, de uma forma bem selvagem e brutal. A morte deles ficou muito marcada como perseguição política – mesmo que tentassem, de todas as vias, fazer parecer outra coisa. Eles são exemplos de militantes que lutaram até o final. Trotsky, quando escreveu sobre o assassinato deles, disse que os dois eram exemplos de militantes que morreram em pé frente ao inimigo e que, portanto, todos os militantes do comunismo internacional deveriam seguir em pé frente ao inimigo em nome de Rosa e de Karl Liebknecht”.

 

ROSA, FEMINISTA

Luxemburgo é considerada um ícone no movimento feminista, por ter representado em sua época a participação feminina, quase impossível naquele momento histórico tanto na política, como em movimentos de oposição, participativa na construção de pensamentos de esquerda, quanto de ações no ativismo revolucionário de sua época, mas que acaba sendo referência nos dias atuais.

Rosa explicava que a emancipação feminina na sociedade só aconteceria se fosse por elas mesmas, nas reivindicações e conquistas. Segundo ela, para o capitalismo era interessante construir a desigualdade entre homens e mulheres, dessa maneira o sistema estava intrinsecamente ligado ao sistema patriarcado que vivemos desde sempre no mundo ocidental.

Para Izabel Loureiro, “As feministas e se inspiram na figura de Rosa Luxemburgo pelo seu protagonismo político, como mulher que sai da esfera da vida privada e ocupa o espaço público como militante, professora da escola de quadros da social-democracia alemã, jornalista, oradora e intelectual marxista. Era uma mulher muito talentosa e muito corajosa, que serve de inspiração para todas nós”.

 

ROSA LUXEMBURGO PRESENTE

      MARIELLI FRANCO PRESENTE

            DANDARA PRESENTE

                  JOANA D’ARC PRESENTE

                              MARIA QUITÉRIA DE JESUS PRESENTE

                                    SIMONE DE BEAUVOIR PRESENTE

                                           PAGU PRESENTE

                                   TODAS FRIDAS PRESENTE

Momento propício ao retorno de estudos e reflexões sobre essas mulheres, que deram suas vidas por mudanças em nossas sociedades, que morreram lutando por um mundo mais igual.

Mulheres que nos inspiram a continuar lutando, escrevendo, atuando, cantando… Mulheres que como Rosa acreditam, “depois do inverno da guerra viria a primavera da revolução”.

Para Consultar: 

Fundação Rosa Luxemburgo https://rosaluxspba.org

https://www.brasildefato.com.br/2019/01/15/cem-anos-sem-rosa-luxemburgo-uma-vida-pela-revolucao/

http://www.esquerdadiario.com.br/Release-Rosa-Luxemburgo-pensamento-e-acao

 

 

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