Estamos em pleno verão, muito calor, vontade de ir à praia, piscina…

 

Consequentemente no verão usamos menos roupas, biquínis, maiôs, nosso corpo fica mais “à mostra”. Mas, para muitas de nós mulheres, a chegada do verão simboliza sofrimento, vergonha, desejo de se esconder.

Nós mulheres, desde muito cedo, somos ensinadas a odiar nossos corpos e desejar constantemente mudá-los.  Desde a infância, ouvimos diversos comentários desagradáveis sobre nosso corpo, diversas crianças sofrem bullying desde a infância por serem gordas. A próprias crianças reproduzem o que escutam dos pais e da sociedade. Registramos desde muito cedo: ser gorda é feio, ter celulite é feio, ter estria é feio e você deve querer mudar isso.

Estes valores são impregnados em nossas mentes, se tornam enraizados.

Por vezes nem sabemos de fato porque odiamos nossos corpos, nossas formas, estrias, celulites, somente odiamos. Não refletimos sobre isso.

Nós mulheres sofremos pressões estéticas muito maiores da nossa sociedade, vivemos uma ditadura do corpo perfeito, do corpo “ideal”. Mas afinal, o que é corpo ideal? O que é padrão de beleza?

Já perceberam como as palavras “padrão” e “ideal” não levam as particularidades de cada ser humano?

Não levam em consideração sua estrutura física, genética, sua história, realidade de vida. “Robotizam” o ser humano, faz com que desejemos ser iguais às modelos das revistas, passando por cima de toda nossa individualidade.

É ditado que somos obrigadas a desejar: “barriga chapada”, “corpo definido, sem gordurinhas”. Somos a educadas a sempre desejar emagrecer, por mais magras que já estivermos.

Convido a vocês a fazermos algumas reflexões sobre o tema:

  • O padrão de beleza só existe porque foi imposto, especialmente pela mídia, ele não é real.
  • Já pensaram que o que consideramos imperfeição pode ser também o que nos torna únicas? Somente você tem esse corpo, essas pernas, esses braços, esse nariz, esse cabelo, essa barriga. São características suas, únicas. Não existe nenhum outro ser humano no mundo como você. O que você odeia em você, pode ser uma característica que faz com que seja linda aos olhos de muitas pessoas. Já pensou nisso?
  • Lidamos com o que consideramos imperfeição como inimigos a serem aniquilados, por exemplo, estrias, celulites, “gordurinhas”.

Vamos pensar o seguinte:

Faz parte do nosso corpo, mulheres reais tem “gordurinhas”, celulites, estrias, isso é completamente normal.

Só odiamos porque nos ensinaram a odiar, é algo aprendido.

Nossas celulites, estrias, “gordurinhas”, o que a sociedade nos faz considerar imperfeições, são também o registro de coisas importantes que vivemos, momentos agradáveis. Um doce maravilhoso que comemos que só de lembrar dá “água na boca”, uma cerveja tomada em uma roda de amigos regada à muitas risadas, comidas maravilhosas que experimentamos. Representam vezes também nas quais eu me respeitei, me permiti comer sem me preocupar, não consegui ir à academia porque não estava bem ou simplesmente porque eu não quis.

Algumas podem estar se perguntando agora. Então eu não posso querer mudar o meu corpo? Buscar uma versão na qual eu me sinta melhor?

Claro que pode!

Mas existe uma diferença essencial: MUDAR POR AMOR E MUDAR POR ÓDIO.

Somos ensinadas a mudar nosso corpo por ÓDIO a ele, a acreditar que só seremos felizes e bonitas se estivermos correspondendo aos padrões de beleza impostos. Desejar fazer atividades físicas, uma dieta saudável, cuidar de sua saúde, claro que não existe problemas nisso, o que for benéfico para o nosso corpo sempre será bem-vindo. Porém, o problema está em acreditar que só seremos felizes, bonitas e desejadas se atingirmos determinados padrões de beleza. Ou ser imposto que todas as mulheres precisam querer ser magras, fazer dietas, academia, que precisam querer buscar incessantemente este padrão. Nada pode ser imposto, nós somos donas de nós mesmas, podemos e devemos fazer nossas próprias escolhas. O CORPO É NOSSO, SOMENTE NOSSO!

Você já parou para pensar quanto tempo da sua vida é dedicado para se incomodar com a sua forma física? Quantas oportunidades de diversão já perdeu por conta disso? Por não querer utilizar um biquíni por vergonha?  Por não querer ingerir diversos alimentos por medo do ganho de peso? Por evitar participar de comemorações, momentos com amigos, familiares por não querer comer?  Por estar em local mas não conseguir se divertir por medo do que pensem do seu corpo?

O quão esses padrões nos afetam?

Os números de mulheres que são diagnosticadas com transtornos alimentares, como anorexia e bulimia são alarmantes, transtornos estes que por vezes se tornam graves e favorecem também ao risco de depressão, ocorrência de outros transtornos psiquiátricos e até a morte.

Transtornos estes que são diretamente influenciados por padrões de beleza impostos que nos causam essa sensação constante de insatisfação com o nosso corpo e desejo de emagrecer a qualquer custo, prejudicando gravemente nossa saúde mental e física. Transtornos alimentares existem, não são frescuras, não são futilidades ou qualquer coisa do tipo, como é julgado por vezes pela sociedade. Precisam ser encarados com seriedade e é essencial que busquemos tratamento psicológico, por vezes psiquiátrico, médico, nutricional. Se está passando por um transtorno alimentar, não sinta vergonha de procurar ajuda, o profissional que irá te auxiliar não pode te julgar ou ter preconceitos, caso esse for o caso, busque outro profissional!

É possível obter melhoras significativas se um tratamento adequado estiver sendo realizado.

Os padrões de beleza nos adoecem, nos afastam de nossa felicidade. Temos por vezes a ideia de que seremos felizes quando atingirmos nosso “corpo ideal”, quando no fundo nessa busca podemos nos tornar infelizes.

Está permitido, se amar como você é;

Está permitido amar o que a sociedade considera como imperfeição em você;

Está permitido, podemos e DEVEMOS ir à praia com um biquíni P, M, G, GG ou qualquer numeração. Sem precisar se explicar, sem precisar se envergonhar.

Amar nosso corpo do jeitinho que ele é, é revolucionário, é buscar quebrar esses padrões que aceitamos e seguimos sem saber ao menos o motivo e se aquilo faz de fato sentido para nós.

A única pessoa que precisa amar o seu corpo é você mesma!

Corpos não são feitos para agradar pessoas.

Não se esqueça que você não é somente um corpo, é um complexo inteiro de características maravilhosas, você é sua personalidade, tudo que faz ao mundo, a você, às pessoas que ama!

VOCÊ É UM UNIVERSO INTEIRO!

Busque refletir também sobre apoiar mulheres em relação à aceitação dos seus corpos e não criticá-las por terem engordado, ou qualquer outra mudança estética. Busque auxiliar mulheres na aceitação de seus corpos, assim como a você mesma!

Não é somente sobre aceitar seu corpo, é sobre amá-lo!

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