No carnaval ouvimos muito especialmente nesse período falar sobre consentimento. Sobre NÃO É NÃO, uma tentativa de educar os homens a compreender o que é consentimento, que não é beijar à força, segurar pelo braço, passar a mão em partes do corpo sem permissão.

É essencial que tenhamos essa percepção do que é abuso com relação em situações como essas, precisamos saber que temos o direito de denunciar nessas situações, de gritar, pedir ajuda. Não existe consentimento presumido. Consentimento existe somente quando dizemos SIM, eu quero. Estar bêbada não presume consentimento, roupas e nenhum tipo de atitude

Esse tipo de consentimento com relação a pessoas desconhecidas, vem sendo amplamente explorado e conscientizado, que é algo extremamente positivo. Porém, existe um outro tipo de consentimento pouco falado, que é tratado como tabu e por conta disso poucas pessoas reconhecem que estão sofrendo abusos, são pouco compreendidas e sentem vergonha de denunciar em caso de abuso, que é o consentimento sexual nas relações amorosas, em relações casuais, namoros e até casamentos. Você sabia que podem existir abusos em relações amorosas até muito antigas e consolidadas? Alguém já te falou sobre isso?

Infelizmente, ocorrem estupros, abusos sexuais diversos dentro das relações, comum em relações abusivas.

Esses abusos podem ocorrer conjuntamente com abusos psicológicos diversos como:

*Manipulações psicológicas questionando o sentimento: “você não faz sexo comigo porque não gosta de mim”, “Você não confia o suficientemente em mim para fazer isso? (com relação a sexo ou qualquer prática sexual)”, “Se fizer isso provará que me ama de verdade”, “prove que é minha”, “vai me deixar desse jeito?”

* Ameaças: “Se você não fizer isso (sexo ou qualquer prática sexual que não deseje ou esteja apreensiva para realizar) irei procurar outra que faça”, “se não fizer irei embora”, “você não dá conta”…

Entre outros…

É importante sabermos que:

  • Relação sexual precisa ser uma troca recíproca, onde duas pessoas estão participando ativamente da relação;
  • Se um está demonstrando ou expressando desconforto, com qualquer prática dentro da relação sexual e o outro não leva em consideração e continua, isso se trata de abuso;
  • Sexo não envolve violência e não consentimento, se você está sentindo dor, se pediu para a pessoa parar e continuou, se está te contendo fisicamente ou forçando de qualquer forma isso se trata de estupro mesmo sendo em um relacionamento amoroso;
  • Não existe consentimento presumido, como as relações sexuais precisam sempre envolver uma troca recíproca, você pode querer parar a qualquer momento, você pode estar disposta no início e a qualquer momento da relação desejar parar e a outra pessoa PRECISA respeitar seu desejo;
  • Sexo não é prova de amor, nem qualquer prática sexual dentro do sexo. Você não precisa nem deve aceitar qualquer manipulação nesse sentido, você pode sim amar alguém e não se sentir segura para fazer sexo com essa pessoa, ou não desejar fazer algo (esse tipo de manipulação ocorre muito com relação ao sexo anal). O sexo não é sobre amar outra pessoa ou não, o corpo É SEU, você precisa estar se sentindo totalmente segura e confortável, precisa sentir desejo. Não pratique qualquer ato sexual para agradar outra pessoa, amor não é sobre isso, amor é sobre respeitar o tempo e desejos da parceira, se preocupar com o seu bem estar.

 

  • Só é uma relação sexual se a outra pessoa está consciente e participante, se a outra pessoa está dormindo, ou alcoolizada, não está no seu estado normal de consciência e por qualquer motivo, isso se trata de ESTUPRO.

 

  • Ninguém é dono ou tem direitos presumidos sobre o seu corpo, seja ele seu namorado, marido ou quem for, o CORPO É SOMENTE SEU!

 

  • Como já citado acima, um relacionamento precisa ser de trocas recíprocas, se o seu companheiro só se preocupa com o prazer dele, não se preocupa com o seu, considera que quando atingiu o próprio prazer a relação acabou, isso não é uma relação sexual porque não existem trocas. Isso é também característica de uma relação abusiva.

 

Infelizmente, existem julgamentos diversos acerca de abusos sexuais em relações amorosas e pouca compreensão, por parte da sociedade em geral, por vezes até de autoridades responsáveis.

 

Mas, é importante que você saiba que abuso sexual é CRIME, existem leis que resguardam as mulheres e é seu direito denunciar e receber o auxílio necessário.

Isso não é motivo de vergonha, ninguém sofre nenhum abuso porque quer, ou por gostar, ninguém gosta, ninguém se sente confortável. As pessoas não denunciam ou permanecem em relações onde ocorrem abusos porque sentem medo, insegurança, vergonha, constrangimento, medo de não receber apoio, de serem julgadas, sofrem ameaças, sofrem desamparo financeiro  e emocional. Motivos diversos, porém NUNCA porque uma pessoa quer.

O abuso na relação faz com a autoestima fique extremamente fragilizada, o que por vezes faz com que a pessoa questione quem ela é, se sinta dependente emocionalmente daquela relação, sinta que está presa a ela, ou por ouvir tantas vezes que não é suficiente boa, passa a acreditar que de fato não mereça nada melhor.

 

O abuso sexual seja nas relações amorosas ou em qualquer contexto deixa marcas profundas, traumas diversos que impactam diretamente na autoestima, nas relações, podendo também facilitar o desenvolvimento de diversos transtornos como depressão, transtornos de ansiedade, pânico, estresse pós traumático, entre outros. Se você sofre ou sofreu abusos sexuais em qualquer contexto é essencial que busque ajuda psicológica adequada. A ou o profissional que irá te auxiliar tem o compromisso ético de não te julgar, então não tenha vergonha, você não precisa estar só. Busque ajuda!

Lembrando que, para denúncias de violência contra a mulher existe o 180, central de atendimento à mulher em situação de violência. DENUNCIE!

 

Busque ajuda, você não está só!

Você merece amor, jamais dor!

Amor não dói!

 

“Se você achar que o amor não deve machucar, você está certa! Para tudo que destrói e é violento, damos o nome de abuso!” (Ryane Leão)

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