Racismo estrutural: uma reflexão sobre baixa diversidade racial nas organizações brasileiras.

O debate sobre racismo estrutural, enfim, está tomando força no Brasil. Estamos abandonando a falácia da democracia racial e entendendo a estrutura racista em que o país foi estabelecido.

Um caso recente e que vale muito enfatizar foi o discurso do técnico Roger Machado, técnico do Bahia, que de forma muito didática e assertiva deu uma entrevista pós jogo explicando a estrutura racista no Brasil e trazendo ao debate o questionamento de que só há 2 técnicos negros na elite do futebol brasileiro. Você não reconhece nisso um problema?

Silvio de Almeida define, em seu livro “O que é racismo estrutural? ”, o racismo como “uma decorrência da própria estrutura social, ou seja, do modo normal” com que se constituem as relações políticas, econômicas, jurídicas e até familiares, não sendo uma patologia social e nem um desarranjo institucional. O racismo é estrutural. Comportamentos individuais e processos institucionais são derivados de uma sociedade cujo racismo é regra e não exceção. ”

Essa estrutura reflete em estatísticas contundentes para os negros no mercado de trabalho. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio – PNAD contínua de 2019, divulgada pelo IBGE, dentre os 12,8 milhões de desempregados, 64,3% são pretos ou pardos. Isso equivale a 8,2 milhões de brasileiros, ou seja, dois em cada três desempregados do país são negros.

Em relação ao rendimento médio, o relatório “País estagnado: um retrato das desigualdades brasileiras – 2018” realizado ONG Oxfan, com base em micro dados do IBGE, discorre que a renda média dos negros ficou em R$ 1.545,30, pouco mais da metade (53%) do rendimento dos brancos (R$ 2.924,31).

Adicionalmente, o relatório do Instituto Ethos “Perfil social, racial e de gênero das 500 maiores empresas do Brasil e suas ações afirmativas”, divulgado em 2016, expressa que os negros são maioria entre os aprendizes, com 57,5%, mas ficam com apenas 28,8% no nível dos estagiários. Já no quadro funcional a presença é de 35,7% (diferença de 38,7%), decrescendo progressivamente para 25,9% na supervisão (27,5% de diferença), 6,3% na gerência (75,7% de diferença) e 4,7% no quadro executivo (25,4% de diferença), e mantendo-se num mesmo patamar no conselho de administração, com 4,9%. O que deixa claro o afunilamento da presença de negros para os cargos de níveis hierárquicos maiores, de modo que resulta em diferença, entre brancos e negros, de 94,2% no quadro executivo e 94,8% no conselho de administração.

No caso das mulheres negras, a situação é ainda mais alarmante. Dos 34,4% de negros no quadro de pessoal das empresas pesquisadas, somente 10,6% são mulheres, dentre as quais 10,3% ocupando o nível funcional, 8,2% a supervisão e 1,6% gerência. No quadro executivo, a presença de mulheres negras se reduz a 0,4%. São duas, entre 548 diretores, negros e não negros, de ambos os sexos.

Todas as justificativas a essas estatísticas remetem ao racismo estrutural. Para combate-lo, Djamila Ribeiro em seu livro “Pequeno manual antirracista” expõe ações que devem ser seguidas por todos, como: informar-se sobre racismo; enxergar a negritude; reconhecer privilégios da branquitude; perceber o racismo internalizado em você; apoiar políticas educacionais afirmativas; transformar seu ambiente de trabalho; ler autores negros; questionar a cultura que você consome; conhecer seus desejos e afetos; combater a violência racial e sermos todos antirracistas. Reitero que em todas as ações está contida a necessidade de conhecer a história do Brasil, de quase 400 anos de escravidão legal, ao invés de nega-la.

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