Os números de violência contra a mulher registrados, no mundo todo, são sempre alarmantes. De acordo com o relógio da violência do Instituto Maria da Penha, no Brasil a cada 2 segundos uma mulher é vítima de violência física ou verbal, a cada 6,3 é vítima de ameaça, a cada 6,9 segundos de perseguição, 2 minutos de arma de fogo e 22,5 de espancamento ou estrangulamento.

Esses números que já são desesperadores estão aumentando e infelizmente tendem a aumentar mais neste período de quarentena. O Ministério da Mulher registrou um aumento de 9% de denúncias do período de 17 a 25 de março de 2020, período no qual se intensificou o isolamento para coibir a disseminação do Coronavírus.  A ONDH (Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos) contabilizou, entre os dias, 1º a 16 de março, 3.045 ligações recebidas e 829 denúncias registradas. Na semana seguinte, os números subiram para 3.303 ligações recebidas e 978 denúncias registradas. Na China também foram registradas 3x mais denúncias de violência contra as mulheres, no período de quarentena.

Por que esses números tendem a aumentar na quarentena?

A casa, infelizmente, não é um local de segurança e acolhimento para muitas mulheres, mas sim um local de constante medo e angústia. Para muitas, o terror começa quando o parceiro está próximo a chegar ao lar, pois não se sabe como ele irá chegar.

“Será que hoje ele não teve um bom dia no trabalho e irá chegar estressado e agressivo?”

“Será que estará alcoolizado?”

“Será que fiz algo ‘errado’ na casa e ele irá me agredir?”

“Não quero transar e acho que ele vai querer, terei de fazer sexo forçada…”

Estes e muitos outros são pensamentos que rodeiam a mente de muitas mulheres diariamente, gerando intensa ansiedade. Neste período de quarentena, os agressores ficarão constantemente no mesmo ambiente, o estresse referente ao isolamento, preocupações financeiras, entre outros podem aumentar ainda mais o potencial agressivo do abusador.

O isolamento neste período de pandemia é de fundamental importância. Por conta disso, é essencial buscar ajuda e denunciar em caso de violência contra a mulher.

Uma informação importante é que o relacionamento abusivo costuma ser constituído por três fases: aumento da tensão, explosão e lua de mel.

Aumento da tensão: o agressor começa com agressões menores em grande parte das vezes psicológicas nesta fase, ameaças, irritabilidade intensa, acessos de raiva, arremessos de objetos, diversas queixas e reclamações. A vítima tende a se sentir culpada e tentar evitar irritabilidade do agressor, julgando que é ela que a causa.

Explosão: fase na qual a agressão “pesada” se consolida, seja ela física, psicológica, sexual ou patrimonial (violência relacionada a bens financeiros, controle de dinheiro, destruição de objetos, documentos…).

Lua de mel: fase na qual o agressor se mostra arrependido e pede desculpas, presenteia a vítima, faz promessas de mudança. Um período de aparente paz e reconciliação. Neste período a vítima tende a tentar esquecer as fases anteriores e investir no recomeço da relação.

Após o período de lua de mel tende a voltar o período de aumento de tensão.

É muito importante identificar a agressão na primeira fase para evitar chegar ao período de explosão.

Para isto também, é muito importante, mais do que nunca, METER A COLHER. Se você ver, ouvir da sua residência, brigas, ofensas ou agressão física, denuncie! Nenhuma mulher quer sofrer agressão em uma relação. Muitas vezes a mulher nem sabe que está em uma relação abusiva, e por toda manipulação psicológica sofrida acredita ser culpada pelas agressões que sofre. Como ajudar uma mulher que está isolada com o abusador na quarentena?

Muitas mulheres permanecem em relações abusivas por sofrerem violência patrimonial. Têm filhos, o marido não as permite trabalhar e obter ganhos financeiros, tornando-as, dependentes deles. Por vezes, para resguardo dos filhos, elas também se mantêm nesta relação sofrendo agressões e em intenso sofrimento.

Denuncie! Você pode salvar uma vida

Neste período de isolamento, as Delegacias estão funcionando normalmente, assim como as Delegacias da Mulher , a Casa da Mulher Brasileira (São Paulo) e o Centro de Acolhida Especial para Mulheres em Situação de Violência, que possuem endereços confidenciais.

Para denunciar a violência contra a mulher, ligue 180. A sua denúncia pode ser anônima.

Para mulheres que estão sofrendo agressões, neste período, caso consigam, procurem passar este período de isolamento na casa de algum parente, amigos.

É muito importante que lembremos sempre o quanto a sororidade é importante, sempre, especialmente em momentos emergenciais como este. Denunciar, ouvir, não julgar uma mulher em situação de violência é essencial para a sobrevivência dela. Ajude alertando no inicio da agressão, antes dela se agravar, mande materiais para suas amigas sobre relacionamento abusivo. Não se afaste dela se ela não terminar o relacionamento abusivo. O término é longo e difícil. Apoie, alerte, escute, ajude como pode. Ter uma rede de apoio é essencial para conseguir sair de uma relação abusiva!

Sabemos que a mulher encontra diversas dificuldades e barreiras ao denunciar uma agressão, gerada especialmente por preconceitos e culpabilização da vítima, mas ainda assim é de FUNDAMENTAL importância denunciar. Muitas vidas de mulheres podem ser ajudadas e salvas. No site Todas Acolhem tem informações de como você pode ajudar ou ser ajudada.

BUSQUE AJUDA!

A CULPA NUNCA É DA VÍTIMA!

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