A data de hoje é comemorada por muitas pessoas por razão dos 132 anos da abolição da escravatura do Brasil. Mas também é utilizada como forma de protesto por muitos movimentos sociais, desmentindo as histórias contadas ao longo do nosso aprendizado nas escolas e tentando trazer a verdade nos enredos que nos foram apresentados há alguns anos. Isso porque a abolição da escravatura no Brasil não foi algo generoso ou bem-intencionado para com a população negra e, tampouco, houve de fato a inserção social prometida.

Após o fim da escravidão, de acordo com o sociólogo Florestan Fernandes (1920-1995), em sua obra “A integração do negro na sociedade de classes”, de 1964, as classes dominantes não contribuíram para a inserção dos ex-escravos no novo formato de trabalho. “Os senhores foram eximidos da responsabilidade pela manutenção e segurança dos libertos, sem que o Estado, a Igreja ou qualquer outra instituição assumisse encargos especiais, que tivessem por objeto prepará-los para o novo regime de organização da vida e do trabalho”. Ou seja, aconteceu a abolição formal da escravatura, porém, os negros continuaram excluídos do processo social. Além disso, os trabalhos que antes eram ocupados por negros, foram também abertos aos brancos.

Nada ocorreu como um milagre ou um presente dado aos negros. A abolição da escravatura foi uma conquista tardia do movimento popular abolicionista, que por sua vez, resultou na aprovação da Lei Áurea. É exatamente por razões como essas e por tais conquistas que não podemos diminuir os movimentos populares existentes. E é por essa mesma razão que não devemos desistir de lutar, de lembrar da história e de transpassá-la com veracidade.

“Falar sobre esse passado e entender que a abolição não foi suficiente é importante para entender sobre um termo que cada vez mais ganha peso: reparação. Reparação histórica é um conjunto de medidas jurídicas, ou não, que visa corrigir desigualdades estruturais e historicamente construídas”, explica o sociólogo Tulio Custódio, mestre em sociologia pela USP (Universidade de São Paulo) com uma pesquisa acerca de intelectuais negros.

Ao longo do dia, artistas como Zezé Motta, Gilberto Gil e Martinho da Vila fizeram publicações em suas redes sociais relembrando o marco.

Relembre o papel das mulheres negras dentro dos movimentos populares sociais e veja mais sobre o Racismo Estrutural e a estrutura racista em que o Brasil foi estabelecido.

Bibliografia:

FERNANDES, Florestan. A Integração do Negro na Sociedade de Classes – Vol.I – O Legado da Raça Branca. Editora Globo, Edição Digital. 1964.

Por que o 13 de maio é uma data de protesto e não de comemoração, disponível em https://www.uol.com.br/ecoa/ultimas-noticias/2020/05/13/por-que-o-13-de-maio-e-uma-data-de-protesto-e-nao-de-comemoracao.htm. Acesso em 13/05/2020.

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