Não é de hoje que temos o famoso “tabu” em falar sobre sexo, não é?! Principalmente quando somos mulheres… Mas imagine, você sendo uma mulher com deficiência. Pensou? Pois é!
Em uma das minhas muitas reflexões entorno deste assunto e também conversando com outras mulheres com deficiência, eu enquanto mulher cadeirante, mulher com deficiência, percebi que há uma brecha enorme quando pensamos em: mulheres com deficiência que conversam sobre sexo com outras mulheres com deficiência. Daí eu que sempre fui um livro aberto e muito honesta quando o assunto é sexo, não entendia muito bem o motivo disso… Mas estava ali, posto para mim! Se na sociedade mulheres já são impedidas de falar sobre esse assunto tão comum, imagine quando você está em um corpo que não é considerado nem como sendo fonte de receber e de dar prazer?! Corpo este que muitas das vezes é infantilizado pela maioria das pessoas e que recebe à todo instante capacitismo.
Mulheres com deficiência desde que nascem, elas são o tempo todo protegidas e tratadas como um bibelô que ao tocar, pode vir à quebrar. O que eu posso afirmar com total certeza que não acontece! E esse tratamento não vem apenas de pessoas pela qual não a conhece ou não tem qualquer tipo de contato com pessoas com deficiência, mas sim principalmente por pessoas que são responsáveis por ela. E essa proteção só vai seguindo durante muitos anos da vida daquela mulher com deficiência… Enquanto mulheres sem deficiência que às vezes são mais protegidas em casa ou são mais retraídas tendem à se libertar na maior idade ou então quando se tem um relacionamento, ou seja lá qual for o momento, as mulheres com deficiência demoram muito mais na maioria dos casos.
E não, já venho aqui deixar BEM claro que não, isso não quer dizer que mulheres com deficiência não transam, muito pelo contrário. Mulheres com deficiência e pessoas com deficiência num geral transam SIM! Mas, o que está exposto é que elas demoram muito para saírem desses rótulos que nos são colocado todo instante. Com isso, as mulheres com deficiência tendem à não falar sobre o assunto sexo por conta de uma vergonha ou até mesmo medo, de ser vista de uma forma distorcida ou ser julgada erroneamente por isso. Nós mulheres sabemos que qualquer atitude tomada fora da linha, somos denominadas de diversas formas e muitas das vezes apagam nossas qualidades por certas atitudes ou ações que tomamos… E com as mulheres com deficiência, isso é o que ocorre o tempo inteiro. A imagem criada pela sociedade de que somos santas, intocáveis e puras não só como tem que ser verdade como também não pode ser destruída, porque senão todo encanto e toda admiração ou qualquer outra coisa que alguém sentia por você se acaba. Isso influência demais nas nossas vivências enquanto mulheres com deficiência, porque a gente deixa de viver coisas e até se repreende de diversas coisas, simplesmente por ficar com medo do julgamento que virá.
E falar sobre sexo não se deve ser um tabu e algo velado, mas sim conversado e vivido da forma que cada um desejar. Ninguém, nenhuma mulher precisa conversar sobre sexo e nem fazê-lo se não quiser, mas quando se quer, por quê não fazer e falar? Conversar sobre sexo com outras mulheres e ainda mais, mulheres como você que também tem deficiência, pode ser uma ótima forma de troca de experiência e também muito libertador… Além de você conseguir trocar conselhos sobre MUITAS coisas que cercam o tema sexo.
Porém, entendendo a sociedade e mundo que vivemos hoje, não se pode simplesmente achar que é fácil e que todas podem ser libertas dessa infantilização e capacitismo imposto… Então a missão é ir a cada dia plantando a sementinha da libertação em cada mulher com deficiência. É fundamental que ela entenda que ela não precisa seguir as normas impostas pra ela e que é super saudável praticar e falar sobre sexo se ela assim sentir vontade. E que essa troca pode ser muito boa e agregadora para ambas às partes. Então migas pcds, bora conversar sobre sexo?! Rs.

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