Autoestima e mulheres com deficiência!

Primeiramente gostaria de começar falando que esse texto não é sobre autoestima relacionado à beleza, mas sim está mais ligado com questões de bem-estar e autoconhecimento.

Nos dias atuais, o que se vê é muito uma padronização tanto de beleza, quanto de estilo de vida, jeito e enfim, uma série de elementos tem sido o tempo todo colocado em um padrão tanto estético, quanto normativo que é branco, magro e de classe média, sem mencionar a questão de gênero e sexualidade, que também não pode fugir do normativo, enfim, nada diferente do que já sabemos… Com isso, as mulheres de um modo geral precisam o tempo estarem se afirmando serem boas, serem bonitas, serem legais, tentando se empoderar enquanto a sociedade e sistema estão fazendo tudo ao contrário com a gente. Bom, mas quando falamos um pouco sobre interseccionalidade, mais especificamente de mulheres com deficiência, você já parou para pensar como é a autoestima desta mulher?! Pois é, não é tão diferente assim do que de outras mulheres também interseccionais porém sem deficiência, como mulher gorda, mulher negra, mulher trans etc. Porém, o viés de ser uma pessoa com deficiência, te coloca num extremo de apagamento e inexistente que beira ao desumano!

Mulheres com deficiência existem e elas são muitas, elas são de diversas formas, inclusive fazem parte de grupos de pessoas gordas, negras, eu sou uma delas, inclusive, e também de mulheres trans. Nós mulheres com deficiência, posso dizer, temos que o tempo todo estar de frente tentando lidar com e até mesmo criar a nossa autoestima, pois muitas das vezes ela praticamente não faz parte da gente.
Isso ocorre porque a nossa vivência é toda pautada por um capacitismo que habita em todas as pessoas e ele é diário em nossas vidas! E quando eu falo diário, é a mais pura verdade. Nós não temos um dia, que alguém não fale algo ou pergunte algo da ordem do capacitismo. Isso faz com que a gente viva o tempo praticamente inteiro tentando nos auto provar que sim, nós somos capazes e nós podemos tudo o que a gente quiser.

A mulher com deficiência, ela precisa entender que ela é bonita, ela é inteligente, ela é uma boa amiga, ela pode ser uma ótima namorada ou esposa… Ela pode ser o que ela quiser no profissional, ela pode ir aonde ela quiser ir, ela pode ter atitude que  qualquer ser humano tenha, mesmo que quando se trata de alguém com deficiência isso é mau visto…  Ser sexy, falar palavrão ou até mesmo ser lésbica ou bissexual por exemplo. Ela precisa estar colocando toda sua vida na sua frente e olhando para todas as coisas que ela conquistou…

Mulheres com deficiência sofrem apagamentos fortíssimos, como falei anteriormente por conta do capacitismo e isso tem uma séries de viés… Não é só por conta de mulheres com deficiência não serem pauta nas lutas de outras mulheres ou por não sermos vistas como mulheres que somos, não é apenas esse apagamento que eu me refiro, mas existem centenas de outras formas de apagamento. Observe, mulheres com deficiência muitas vezes, como eu sempre tento dizer, são sempre as que não são vistas como mulheres “de verdade” e por isso não podem ser mulheres para se ter um relacionamento amoroso/romântico… Então supõe-se de que a mulher com deficiência é aquela que é a amiga de todos, né?! E aí eu respondo: Depende! Depende de quem é essa mulher com deficiência… Quando a gente fala de mulher com deficiência, a gente abre um leque de opções e de subjetividades totalmente diversas! Então não tem como falarmos que mulheres com deficiência são as consideradas amigas… Me colocando como exemplo, pois é a vivência que eu tenho a propriedade para falar, óbvio. Eu, por muitos anos fui aquela menina que tinha pouquíssimos amigos e não era porque sou uma pessoa tímida, embora eu realmente seja. Isso se dava porque, se eu não me aproximasse das pessoas, elas consequentemente iam já estabelecer um pré julgamento de que eu não gostaria de ter uma troca com elas. Depois disso isso mudou e hoje me considero uma pessoa com muitos amigos… Mas sei que ainda há muitas pessoas e principalmente mulheres que não tem a mesma vivência que a minha e sim, não são mulheres com muitas amigas. São mulheres que muitas vezes não são a amiga preferida pra chamar pro rolê, como já fui também. São mulheres que não são a melhor amiga e confidente de alguém, o que também já ocorreu comigo.

Então, essas e muitas outras questões interligadas ao capacitismo, faz com que nós mulheres com deficiência, coloquemos nossa autoestima à ferro e fogo o tempo todo, temos séries de crises de baixa autoestima, nos questionamos o tempo inteiro… E não existe um tentar se empoderar ou dizer pra essas mulheres, você enquanto pessoa sem deficiência, que ela é maravilhosa, se o problema é de vocês que de certa forma criaram a estrutura do capacitismo! É importante a gente deixar claro, que quem criou o capacitismo não fomos nós e sim pessoas sem deficiência num geral, que não foi capaz de criar uma sociedade que pudesse ser inclusiva, mas sim extremamente excludente.

Bom, porém, indo para o um outro caminho da discussão, é possível se pensar numa boa autoestima para mulheres com deficiência. Muito tempo da minha vida eu fiquei pensando sobre isso e eu ainda fico pensando nessa questão, eu ainda me pego tendo crise de baixa autoestima porque considero isso de certo modo natural em todas as pessoas, não vejo só como uma coisa ruim, mas sim como algo que possamos conviver com ela aparecendo pouco, mas não sendo parte da nossa rotina, porque aí ao meu olhar, já se torna prejudicial. Enfim, pensando muito nesse assunto, eu comecei a ver, que o que pode trazer uma melhoria na autoestima, é algo que parece bobo, mas que é MUITO importante, que é o autoconhecimento. O autoconhecimento, é uma ótima maneira de você conseguir lidar, analisar, enfim, criar maneiras de conseguir entender o seu eu e quem você é.

O autoconhecimento nos permite de certa forma, olhar aquilo que a gente talvez não consiga ou não queira enxergar… E o autoconhecimento começou a me ajudar quando eu comecei a ver que sozinha eu consigo ver minhas qualidades e quem eu verdadeiramente sou, sem que eu tivesse que ficar sempre esperando o olhar ou retorno do outro que nem sempre vem ou viria. Então, é muito importante, mulheres com deficiência terem esse autocuidado, de se preocuparem com seu autoconhecimento e sua mente, porque é algo que nos auxilia demais nessa questão de autoestima, mas também em outra esfera de nossas vidas. E lembrando que, autoconhecimento é bom não só para mulheres com deficiência, mas sim também para as sem deficiência e para todos! É sempre bom esse cuidado com nós mesmo.

Mulheres com deficiência são fodas, são incríveis, sensacionais… Elas, nós podemos e devemos ter um mundo nas mãos! A gente é muito capaz de qualquer coisa e a gente tem que estar mesmo em todos os lugares, ocupando tudo, tendo voz e visibilidade, enfim, tudo de melhor a gente merece. Porém, tenho um recado à você pessoa sem deficiência, seja mulher ou homem, você não tem que olhar para uma mulher com deficiência e só falar pra essa mulher um monte de elogios achando que isso vá empoderá-la não. Sim, você pode e deve também fazer grandes elogios para todas as mulheres com deficiência, merecemos também. Mas eu preciso que você entenda uma coisa… Você precisa humanizar essa mulher! Não adianta nada esse discurso de empoderamento, esses elogios, se você contribui para a estrutura capacitista. Você precisa enxergar a gente, enxergar a nossa existência, você precisa nos ver de verdade e não só olhar. Você precisa dar lugar pra gente também ocupar lugares, assim como você os ocupa. Você tem que dar voz, assim como você a tem, a gente quer falar e temos MUITAS coisas para falar. Mas acima de qualquer coisa, você precisa incluir a gente no seu meio, na sua vida… Porque sim, nós podemos ser ótima amiga ou até mesmo melhores amigas, podemos ser ótima namorada ou esposa, podemos ser ótima profissional porque temos capacidade total pra isso. Nós somos, agora só precisamos mostrar o que somos!

Redes sociais

  • /TODASfridas
  • @todasfridasoficial
  • @todasfridasoficial
  • comercial@todasfridas.com.br

Todas Fridas

fifitransp