Mês da visibilidade Bissexual – Mais do mesmo?

Mais um Mês da Visibilidade Bissexual e os debates no twitter continuam os mesmos. Porque não há um avanço nas pautas? Aprofundamento do tema? Que seja mais próximo da realidade de quem é bissexual?

Alguns pontos precisam ser levados em consideração. O primeiro deles, é o fato de que sempre terá alguém que nunca ouviu falar do tema e está tendo o primeiro contato com o assunto. Pra esta pessoa, é necessário partir do zero e explicar/relembrar os conceitos de sexo biológico, identidade de gênero, orientação sexual, expressão de gênero e etc.. para então desenhar o que significa a letra B da sigla.

O segundo, é que existe a LGBTfobia dentro e fora da Comunidade LGBTQIA+. Combater homem/branco/cis/hetero/magro* já faz parte da rotina diária e de sobrevivência, mas que precisa ser reforçada, relembrada e até recarregada, por questões óbvias. O combate dentro da Comunidade é necessária, porém, delicada. Necessária porque a bifobia existe tanto quanto a homofobia e transfobia. Delicada porque tem particularidades diferentes da homofobia e transfobia. Não há notícias de assassinato por bifobia, por exemplo, enquanto o Brasil continua liderando o ranking mundial de homicídios por Transfobia. Por isso, não tem como comparar a luta de uma letra da sigla com outra. E esse xis da questão que acaba mantendo os mesmos debates por semanas, meses e até anos seguidos.

A bifobia dentro da Comunidade LGBTQIA+ existe quando o gay padrão acha que o homem bissexual é homossexual com medo de se assumir, quando a lésbica não beija a garota bissexual porque não beija quem beija homem, quando a pessoa até fica com pessoas bissexuais mas não pra relacionamento sério, porque teria que desconfiar e ter ciúmes de ambos os sexos, de quem convida bissexual só pra ménage e afins, quando apontam bissexual como alguém que está na dúvida, quando definem como promiscuidade, quando colocam a bissexualidade como transição de passar de heterossexual para homossexual. Vale ressaltar que a bissexualidade como transição até existe, mas é reforçado pelo sistema heteronormativo (que prega a homossexualidade como algo errado), cisnormativo (que invisibiliza pessoas não cis), binária (só existem duas identidades de gênero), tais quais deveriam ser combatidas por todas as letras da sigla, já que todas sofrem essa opressão direta ou indiretamente.

O terceiro ponto é que esse texto não tem o objetivo de ser mais uma autocrítica para a Comunidade LGBTQIA+ (mas se quiser pode). A questão aqui é refletir que a cada mês da visibilidade Bissexual, o mais do mesmo continua sendo dito e o debate não avança, não aprofunda, não inova, justamente porque na prática, a teoria é outra. Enquanto sobe hastag no twitter que bissexual não é binário e que pansexual é só mais um nome bonito que chegou atrasado, tem homem/branco/cis/hetero/magro* sexualizando corpo da bissexual perguntando se faria ménage com ele e esposa, tem mídia nacional em horário nobre minimizando famoso que assumiu sua bissexualidade… Aqui no mundo real a bifobia não descansa.

Para finalizar, o quarto ponto e não menos importante, enquanto a sociedade não alcançar o tão sonhado dia em que será indiferente cada um ser e amar quem quiser, continua necessária a luta pela visibilidade. Essa, que muda a cada dia porque as pessoas mudam a cada dia. Sempre haverá uma nova pauta, uma nova luta, uma nova bandeira… E quando o mais do mesmo permanece, houve falha no respeito pelo outro, houve falha nesses processos de mudanças enquanto seres humanos, houve falha no saber ouvir, houve falha no compreender seu lugar de fala, de respeitar o local de falha de outre, houve falha na empatia. Houve falha. E essa falha é que deve ser o xis da questão.

* homem/branco/cis/hetero/magro: personificação do opressor

Redes sociais

  • /TODASfridas
  • @todasfridasoficial
  • @todasfridasoficial
  • comercial@todasfridas.com.br

Todas Fridas

fifitransp