Sou feminista e faço o que eu quiser!

Desde 2015 com o adedaço* nas redes sociais, mulheres de diferentes classes sociais, regiões e vertentes passaram a se conhecer virtualmente, todas com o mesmo interesse. Interesse este concentrado em se unir por meio do feminismo. Muitas mulheres também descobriram nesse momento o que era o feminismo. Eu mesma fiquei maravilhada com a união feminina.

Logo também aprendi que fazer parte de um movimento social vai além da união, precisamos estar organizadas e cientes das pautas pertinentes e das estruturas de poder que nos oprime e torna o feminismo um movimento necessário. Isso permite estudar, aprender, trocar experiências e produzir conhecimentos, tão essenciais para agregar força ao movimento.

Ultimamente somos bombardeadas com discursos liberais sobre o que é ser feminista. Meninas que acabaram de conhecer o movimento, caem no discurso “meu corpo minhas regras”. E aí está uma das armadilhas que tem atrapalhado nossa organização. Será que estamos, realmente, livres para usarmos tal grito? Ao meu entendimento há alguns equívocos na forma que ela é empregada. O primeiro ponto que devemos entender se concentra no reconhecimento que nosso lugar social é condicionado pelo patriarcado e capitalismo. Nossos corpos sempre foram objetificados desde a infância, seria a pedofilia um dos mais dolorosos desejos da perversidade masculina. Seguindo esse raciocinio, a nudez permitida é a vendida na pornografia, a do corpo branco padrão, essa nudez só serve ao machismo. Portanto, vale a reflexão: pois não seriam os homens os mais beneficiados com nossos corpos?

Segundo ponto, nossos corpos são usados o tempo inteiro como máquinas. Nós não somos livres enquanto servimos de objeto seja para a sexualização ou para a reprodução/produção. Enquanto estamos ludibriadas com uma falsa liberdade estaremos perdendo nosso potencial, você pode sim postar a foto que quiser, fazer o procedimento estético que quiser,  mas isso faz parte da permissão do patriarcado, quais consequências psicológica, social e física essas ações fazem, somente seu local na sociedade irá dizer. Veja mais sobre estética e autoestima e exposição de foto íntima.  Ao que parece, não se trata, portanto, de liberdade  mas de desejo individual e qualquer que seja o movimento social, falamos de coletividade.

A nossa luta é por liberdade, precisamos compreender que enquanto as estruturas se manterem de pé, nós estaremos aprisionadas, servindo direta ou indiretamente ao outro. É importante que sejamos todas feministas. Mas para isso, precisamos entender as principais formas de opressões, pois enquanto permanecermos em discordância e deduzindo que nudez, cirurgias plásticas são nosso passo para a liberdade, ainda estaremos favorecendo quem nos oprime.

Por mais que as redes sociais sejam o nosso lugar de encontro, não é somente lá que o feminismo deve permanecer, a possibilidade de democratizar o conhecimento que a internet trouxe faz com que troquemos mais experiências e estudos. E com isso vale a reflexão sobre o que temos lido? Com quem temos dividido experiências de vida? Nosso feminismo precisa ser para todas. Pensando nisso vejo que precisamos entender quem está na base da sociedade, pois enquanto a hierarquia social existir nossos ideais precisam estar voltados para essas lutas, por isso, a análise de classe é tão importante na militância. Quem limpa a sua casa enquanto você tem tempo para viver? 

 

*Para quem não conhece, o adedaço aconteceu com várias mulheres adicionando outras mulheres no facebook com a finalidade de trocar ideias, principalmente sobre feminismo.

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