Mulher com deficiência e LGBTQIAP+

O mês de junho, foi dedicado ao Orgulho LGBTQIAP+, um mês que é para falarmos sobre a luta LGBT+, sobre nossas pautas, sobre os direitos que desejamos conquistar para todo nosso coletivo, enfim, um mês para se continuar lutando, reafirmando nossas identidades sexuais e de gênero e também para se mostrar orgulhoso por sermos quem somos. Porém, não é um mês de festejo como algumas pessoas acreditam, afinal, há muitas coisas que precisam ser modificadas, tanto na sociedade que é bastante opressora com pessoas da comunidade LGBT+, quanto também algumas questões dentro da própria comunidade que precisam urgentemente serem refletidas e mudadas por todes. Afinal de contas, se a comunidade não integra à todes, todos os grupos diversos que existem dentro da comunidade, então tem algo errado aí né?!

Mulheres com deficiência têm sexualidade e na nossa comunidade PcD ( pessoas com deficiência), existem muitas mulheres que são também da comunidade LGBTQIAP+, são mulheres diversas, mulheres com sexualidades e gêneros que fogem do padrão heteronormativo e/ou cisgênero. Essas mulheres elas existem e estão no mundo, tentando provar para a sociedade que possuem uma sexualidade, que elas não cabem em estereótipos como a de bonequinha, a santinha, a anjinho desumanizada que muitas pessoas acreditam que são. Mas, para além disso, elas querem algo muito importante que venha das pessoas sem deficiência da comunidade LGBTQIAP+, que é o reconhecimento de suas pautas vindas por conta do capacitismo, elas querem ser visibilizadas dentro da luta LGBT+, poder falar sobre isso estando na posição de alguém que tem algum tipo de deficiência e sobretudo serem incluídas na comunidade que fazem parte também.

O apagamento dessas mulheres ocorre muitas vezes por parte da sociedade heteronormativa cis, que a desumaniza, e a trata com infantilidade, como incapaz, como inválida, como a que não tem autonomia e subjetividade. Como se não tivesse poder de decidir seus desejos, seus prazeres, seus quereres e quem são. Que para além, também por vezes, são usadas por esses sujeitos normativos, que fazem essas mulheres como fetiches extremamente violentos, muitas vezes são alvo de devotes e outros tipos de pessoas, geralmente do sexo masculino, que olham para essas mulheres como se fossem algo para seu consumo próprio. Porém, esse apagamento não somente ocorre por parte da sociedade heteronormativa cisgênero, como também ocorre por parte das pessoas da comunidade LGBTQIAP+ que não as reconhecem como sendo também parte da comunidade, que desacreditam ser possível que elas possuem uma sexualidade, ainda mais se essa não for a heterossexual e também desacreditam quando essas mulheres não são cisgênero, como se isso não fosse possível quando se tem uma deficiência. Pessoas que geralmente não incluem pessoas com deficiência em seus discursos sobre questões LGBT+ e que não são nada inclusivas com pessoas, mulheres principalmente, com deficiência dentro de seus meios LGBTQIAP+, ainda mais se essa mulher for negra, não cis, gorda, periférica e dentre outros recortes que tornam essa mulher ainda mais marginalizada.

Essas mulheres precisam o tempo todo durante sua vida, saírem do armário, ficarem se provando, dizendo o que são, suas orientações sexuais e gênero, precisam se reafirmar para a comunidade LGBTQIAP+ e para todo o resto da sociedade, mesmo que ela seja uma mulher que já é assumida para seu ciclo de convívio, seus amigos, parentes e afins, ela ainda assim vai precisar o tempo todo mostrar quem é. Porque o sistema é capacitista, o capacitismo é enraizado na estrutura social em que vivemos e nela, a pessoa com deficiência não tem vez, não tem direitos de serem, não tem fala, não tem nada que não seja apenas a mesquinhez que eles acreditam serem o que merecemos na visão capacitista. Por conta disso, se faz necessário, que pessoas com deficiência, principalmente as mulheres PcD, precisam sempre se reafirmar para todes e de alguma forma, sempre tentar roubar a fala pra si, para que possa ser dito sobre capacitismo dentro da comunidade LGBTQIAP+, para que seja falado sobre o apagamento que temos dentro dessa comunidade e várias outras problemáticas, afinal de contas, nós existimos e queremos ser vistas! Vistas pelo que nós verdadeiramente somos!

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